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A genética determina o comportamento?

A ciência moderna tenta há séculos explicar a complexa malha que forma o nosso comportamento. O nosso DNA possibilita e favorece determinados tipos de comportamento, mas não determina nada. A genética não é um destino, não determina o que você vai ser.

Os genes são os responsáveis pelo comportamento

“Os genes não restringem a liberdade humana, eles a possibilitam”, diz Matt Ridley, autor do livro O Que Nos Faz Humanos, em um artigo para a revista New Scientist. A genética não é um destino, não determina o que você vai ser. Ela oferece predisposições.

Estudos

Durante anos, os estudiosos se colocaram em posições antagônicas. De um lado, os defensores do determinismo genético, segundo os quais os genes limitariam nosso comportamento, de outro, os que consideravam o comportamento humano moldado pela somatória das experiências individuais.
A partir dos anos 1990, aprendemos que as influências genéticas existem, são fundamentais, mas que os genes interagem com ambiente de forma muito mais complexa, mutável e imprevisível.
Todos estão sujeitos a influências ambientais que podem, sim, mudar a expressão dos genes e fazer com que eles simplesmente não se manifestem.
Não somos escravos de nossos genes, mas somos profundamente afetados por eles. Separar as adaptações de todo o resto é extremamente difícil. Só porque certos tipos de comportamento humano são constantes em culturas diferentes não significa que eles sejam geneticamente determinados.
Foram diversas décadas de estudos com irmãos gêmeos idênticos, famílias e crianças adotadas, demonstraram que cerca de metade de nossas características comportamentais, encontram-se sob influência direta da genética. No entanto, procurar um gene responsável pela personalidade extrovertida, pela fluência verbal ou pela facilidade para aprender música é tarefa inglória.

Os genes não agem isoladamente no comportamento

Os genes que influenciam o comportamento não agem de forma isolada, como os que codificam a proteína responsável pela cor dos olhos azuis. Eles interagem com uma constelação de outros, localizados nas proximidades ou em áreas distantes dos cromossomos.
Ao nascer, cada ser humano carrega uma composição de 30 mil a 35 mil genes, formações de DNA que ficam ali dentro dos nossos 23 pares de cromossomos. As principais descobertas dos geneticistas do comportamento relacionam os genes à regulação de mecanismos fisiológicos que mudam o comportamento, como impulsividade, vício de determinadas substâncias e memorização.

O ambiente

Para complicar ainda mais, o impacto do ambiente interfere com a expressão gênica de forma tão decisiva, que um mesmo acontecimento vivido por dois gêmeos idênticos, poderá ativar a expressão de determinados genes num deles e silenciá-la no outro.
Há indicações, por exemplo, de diferenças genéticas na regulação da dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer. Em algumas pessoas, a cocaína provocaria uma descarga anormal de dopamina, causando vício. “É provável que esse medidor químico sofra uma deficiência natural e, portanto, alguns indivíduos sejam mais suscetíveis a se viciar em cocaína”, dizem os pesquisadores Howard S. Friedman e Miriam W. Schustack, autores de Teorias da Personalidade.

Genes e o ambiente

Uma pesquisa do Instituto de Psiquiatria de Londres, mostra como o comportamento pode ser afetado por uma interação entre genes e ambiente. Ele teve acesso a um estudo que acompanha desde 1972 a saúde física e mental de mais de 1.000 pessoas desde o nascimento.
Descobriu que homens maltratados na infância tinham uma probabilidade 10 vezes maior que os demais de cometer crimes violentos desde que, além de terem sofrido maus-tratos, possuíssem pequena atividade da enzima MAOA do cromossomo X, que permite níveis elevados de serotonina. No total, 85% dos homens maltratados na infância e cuja MAOA é pouco ativa exibiram comportamento violento ao longo da vida. Entre os que possuíam a forma muito ativa, os maus-tratos não aumentaram o comportamento violento.

O gene FOXP2

Outro exemplo é o gene FOXP2, no cromossomo 7, isolado recentemente pelo Centro de Genética Humana da Fundação Wellcome, no Reino Unido. Mutações nesse gene causam deficiências específicas de linguagem, ele parece ser necessário para o desenvolvimento da fala. “Ele permite que a mente humana absorva, a partir das experiências vividas na 1ª infância, o aprendizado necessário para falar”, afirma Matt Ridley. Com problemas de fala, é mais fácil para a criança desenvolver traços como a timidez.

Para pensar, e o instinto?

No comportamento instintivo, também chamado comportamento inato ou hereditário, os novos seres que nascem repetem, sem variações, o comportamento da espécie. É como se os seres de uma espécie estivessem planejados de maneira inalterável pela natureza.
O comportamento instintivo é hereditário e deve, portanto, ter relação com o conteúdo genético dos animais. Segundo hipótese que procura explicar essa relação, ocorreria o seguinte: durante o desenvolvimento do embrião, devem se formar determinadas sinapses entre os neurônios, graças a informações genéticas. É como se, durante a fase embrionária, fossem constituídos circuitos entre neurônios, determinados pela especificidade genética de cada espécie animal.

J. Pedro Parisotto Jr.

J. Pedro Parisotto Jr.

Estudante do último ano de Psicanálise Clínica
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