Acumuladores Compulsivos
03/08/2016
Você tem fome de quê?
12/08/2016
Mostrar todos

Depressão pós-parto

A depressão pós-parto é um quadro clínico que pode surgir nas mulheres na fase puerperal, normalmente nas quatro semanas após o parto e se caracteriza pela presença de um conjunto de sintomas que prejudicam a relação entre a mãe e o recém-nascido.
A grande maioria das mulheres se sente triste nas primeiras duas semanas depois do parto, mas é uma melancolia que vai embora sozinha.
No caso da depressão pós-parto, a tristeza e a falta de energia não melhoram conforme o tempo passa. As situações que poderiam gerar prazer são cada vez mais raras.
Este tipo de depressão, atinge entre 10 a 20 % das mulheres quando iniciam a relação com os seus recém-nascidos, podendo começar na primeira semana após o parto e durar até 2 anos e apresentam choro, irritabilidade, cansaço e abatimento.
É muito importante que a mulher ou algum familiar reconheçam a depressão o quanto antes para que ela receba os tratamentos necessários.
Os especialistas não têm uma explicação exata para a depressão pós-parto, mas acreditam que seja uma combinação de fatores hormonais, ambientais, psicológicos e genéticos.

depressao-pos-parto-6

Os sintomas mais comuns são

– Tristeza constante, especialmente na parte da manhã e à noite
– Sensação de que nada de bom vem pela frente
– Sensação de culpa e de responsabilidade por tudo
– Baixa auto-estima
– Irritabilidade e falta de paciência
– Vontade de chorar o tempo todo
– Exaustão permanente, mesmo quando consegue descansar um pouco
– Dificuldade de se divertir
– Perda do bom humor
– Sensação de não conseguir lidar com as circunstâncias da vida
– Preocupação com sua própria saúde
– Falta de concentração
– Falta de apetite
– Pouco interesse pelo bebê, sensação de que o bebê é um estranho e não seu filho
– Pensamentos negativos demais em relação a você ou ao bebê
– Incapacidade para cuidar de si e do bebê
– Medo de ficar sozinha
– Dificuldade para pegar no sono.
– Vontade de fugir, de sumir
Esses sinais são frequentes em muitas mães. É normal ter dias ruins. Mas, se você está tendo esses sentimentos na maioria dos dias, e não parece estar melhorando, você pode estar com depressão pós-parto.
Quanto tempo depois do parto a depressão pós-parto acontece?
A depressão pós-parto costuma aparecer no primeiro mês depois do parto, mas também pode surgir a qualquer momento ao longo do primeiro ano do bebê. Em alguns casos, a mulher está se sentindo bem e se adaptando à vida de mãe, e a depressão aparece. Em outros casos, ela já estava deprimida durante a gravidez, e a chegada do bebê não gera um alívio.

A influência do parto

– A presença de conflitos emocionais está associada a fatores fisiológicos e emocionais e a situações de vida da mulher, como
– Estresse
– Dificuldades entre o casal
– Pouco suporte familiar
– Gravidez indesejada
– Outros

Ao nascer, a criança encarrega-se de uma variedade de funções fisiológicas que até então eram cumpridas pela mãe, como a respiração, a alimentação e outras. A mãe, que se adaptara ao estado de gravidez e incorporara o feto no seu esquema corporal, deverá passar por um novo processo de ajustamento, retornando à situação de não-gravidez.

No momento do parto há na mulher um sentimento de perda e de esvaziamento de partes importantes de si mesma e medo do desconhecido. Já a etapa do puerpério é caracterizada pela dualidade entre a situação do perdido, gravidez, e do adquirido, o bebê.

O conflito edipiano materno é ativado com o nascimento do bebê. Neste sentido, a maternidade é compreendida como um resgate e conquista da identidade feminina, sendo o bebê considerado um representante do falo paterno. Quando a mãe dá à luz uma criança do sexo feminino, revive sua história em relação à própria mãe de forma mais intensa, ocorrendo sentimentos ambivalentes, resultantes das dificuldades da elaboração da própria identidade feminina materna.

A perspectiva psicanalítica sugere que após o parto a mulher tem de realizar o luto de uma série de experiências presentes, nomeadamente o luto do filho imaginário, ideal (expectativas) e experiências passadas, como luto de anteriores experiências de separação com a mãe, ela identifica-se com o bebê e revive através dele a relação com a mãe.

Existem mulheres que possuem mais tendência a ter depressão pós-parto

Os especialistas ainda não chegaram a uma conclusão por que certas mulheres ficam deprimidas e outras não, porém há certas situações que parecem aumentar o risco de uma depressão pós-parto, como:
– Ter passado por uma depressão ou algum outro problema de saúde mental antes do parto
– Ter tido depressão durante a gravidez
– Ausência da família ou do parceiro por perto
– Dificuldades financeiras, no trabalho ou no relacionamento
– Ter passado por um parto difícil ou complicações de saúde no pós-parto
– O bebê nasceu prematuro ou com problemas de saúde
– Dificuldade em amamentar
– Perda de um ente querido, recentemente ou no passado

depressao-pos-parto-3

Sintomas de depressão pós-parto no homem

Os sintomas de depressão pós-parto masculina, normalmente, surgem desde o final da gestação até ao primeiro ano de vida do bebê e podem ser:
– Irritabilidade e impaciência;
– Tristeza e pensamentos negativos;
– Falta de vontade para conviver com outros;
– Choro fácil e constante;
– Falta de apetite;
– Dificuldade para se relacionar com os filhos;

Ansiedade e falta de atenção

Geralmente, os sintomas de depressão pós-parto nos homens estão relacionados com o aumento de responsabilidades, relacionadas com fornecer uma boa vida ao bebê e dar suporte emocional à esposa. Assim, o homem com sintomas de depressão pós-parto também deve consultar um psicólogo ou psiquiatra para iniciar o tratamento adequado.
Confira como pode ser feito o tratamento para curar a depressão pós-parto em homens e mulheres.

Tratamento da depressão pós-parto

É diferenciado e individualizado de acordo com a gravidade clínica. A pessoa que sofre com essa depressão, geralmente está indecisa, pelo que alguém da família tem que tomar decisões, inclusive para começar o tratamento.
A primeira opção é a prevenção. É preciso oferecer educação, psicoterapia de apoio e até medicação quando bem indicada e orientada. Qualquer tratamento deve envolver equipe multidisciplinar, com o obstetra, o psiquiatra e o psicólogo. O enfoque é sempre biopsicossocial, como em todos os transtornos mentais. Pais e familiares devem também ser orientados. Nunca devemos nos esquecer dos aspetos da vida do casal e das próprias expectativas de mudanças da vida social que podem intimidar ou assustar algumas futuras mães.

Terapia

Conversar com alguém treinado para lidar com o que você está sentindo pode ser de grande ajuda. Muitas vezes somente a terapia já é suficiente para reverter o quadro, embora, em diversos casos, haja também a necessidade de associar ao tratamento algum tipo de medicação (que só pode ser prescrita por médicos).
Não se intimide em procurar ajuda especializada e encare isso como um ato de amor pelo seu bebê, para que você possa ser a mãe que sempre sonhou ser.

Superarando a depressão pós-parto

– Tente manter uma alimentação saudável
– Caso não tenha apetite, procure fazer pequenas refeições regularmente, para que os níveis de açúcar no seu sangue não caiam. Você precisa de energia, assim como seu sistema imunológico.
– Descanse bastante
– Durma quando conseguir, ou simplesmente relaxe. Se alguém puder cuidar do bebê para você, aproveite para tirar uma soneca durante o dia, tome um banho bem relaxante ou escolha uma boa leitura e curta alguns momentos de preguiça.
– Exercite-se
– Pode ser a última coisa que você tenha vontade de fazer neste momento, mas ter alguma atividade física vai ajudar você a se sentir melhor, tanto mental como fisicamente.
– Você pode entrar em alguma aula de ginástica, por exemplo. Mas, se não for possível, só de sair para uma caminhada você já verá benefícios.
– Encontre-se com outras mães
– A vida de uma mãe recente já pode ser bastante solitária, e o sentimento de solidão é pior ainda quando se convive com a depressão. Procure conhecer outras mães que estão na mesma fase de vida — é bom saber que não é só você que vive determinadas situações, como o cansaço de cuidar de um bebezinho.
– Veja ideias de como fazer novas amizades.
– Não seja dura consigo mesma
– Você está doente e precisa de tempo e espaço para se recuperar. Não se sobrecarregue de tarefas domésticas que não sejam urgentes e adie as “grandes” decisões por enquanto.
– Permita-se alguns mimos.
Aceite ajuda
Deixe que amigos e familiares façam tarefas por você, e peça ajuda especialmente ao seu parceiro. Peça que ele leia este texto especial para parceiros e familiares de mulheres com depressão pós-parto.

Antidepressivos

Os antidepressivos servem para reequilibrar as substâncias químicas no cérebro. Eles atuam para melhorar o seu humor, ajudar no sono e fazer com que você se sinta menos irritável.
Esse tipo de tratamento exige disciplina com horários e costuma levar de duas a quatro semanas para fazer efeito. Não desista por achar que ele não está melhorando em nada sua situação.
Lembre-se de que pode demorar um pouco para que seu corpo se adapte à medicação, e tenha em mente que às vezes a dose ou o tipo do remédio precisam de ajustes conforme a reação do organismo.
Não interrompa o tratamento sem conversar com seu médico antes, mesmo se achar que já está melhor, porque a depressão pode voltar de repente.
Também não se preocupe se estiver amamentando, já que há no mercado remédios compatíveis com o aleitamento materno. Se você notar alguma diferença no comportamento do seu bebê depois do início do tratamento, mencione para o médico que receitou o remédio ou para o pediatra.
É verdade que nem todos os antidepressivos funcionam para todo mundo, e pode haver efeitos colaterais. Em geral eles não provocam dependência, a não ser em casos raros

Conclusão

A depressão pós-parto deve ser tratada, e, mais do que isso, exige apoio integral da família, especialmente do marido que deve dar atenção redobrada e ter uma dose grande de compreensão. Embora tenha um bom prognóstico, não deve ser descuidada pois poderá agravar-se e prejudicar a vida da mulher e de sua família.

J. Pedro Parisotto Jr.
Últimos posts por J. Pedro Parisotto Jr. (exibir todos)
J. Pedro Parisotto Jr.
J. Pedro Parisotto Jr.
Psicanalista Clínico

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *