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Cérebro reptiliano

Cérebro reptiliano

Cérebro reptiliano

O que é cérebro reptiliano?
Uma das estruturas mais interessantes originadas pelo processo de seleção natural é o cérebro humano.
Nosso cérebro, ao mesmo tempo que é capaz de realizações que transcendem a biologia, é enigmático porque possui uma dimensão primitiva, irracional, que influencia nosso comportamento.
De acordo com a teoria da evolução, as estruturas que concedem vantagens evolutivas para uma espécie tendem a se reproduzir. Lentamente uma espécie vai passando por modificações, até que, após milhares de anos, pode haver o surgimento de uma nova espécie. Contudo, as espécies que descendem acabam herdando as estruturas dos antepassados, pois elas passaram pelo “teste” da seleção natural.
Uma característica ou órgão desaparecem se as chances de sobrevivência diminuem ou se não desaparecerem a espécie é que pode acabar sendo extinta.

Várias podem ser as soluções estratégicas para a sobrevivência das espécies, e cada uma destas estratégias leva em conta a herança e as modificações provocadas pelo ambiente.
Como exemplo, se num determinado ecossistema houver o aumento do número de predadores, haverá uma modificação no número de presas; quando estas escassearem, os predadores que tiverem mais facilidade para se adaptar ao novo contexto de presas escassas terão mais chances de sobrevivência, e as espécies menos flexíveis terão suas populações diminuídas.

Com o aumento da complexidade da natureza, o processo de seleção natural acaba constituindo caminhos interessantes como alternativas de sobrevivência. A cooperação parece ser uma destas vias. As espécies que cooperam utilizam formas coletivas de proteção e aviso, e isto faz com que a coletividade passe a se assumir como um tipo de “superorganismo”, capaz de realizar funções que individualmente não seriam possíveis. Um exemplo deste tipo de organização são as abelhas, outro exemplo, os seres humanos.
No caso da nossa espécie, ao mesmo tempo que somos capazes de cooperar, temos uma “herança” reptiliana de comportamentos predatórios.

 

01 Cerebro reptilianoEstes comportamentos ocorrem porque o cérebro guarda todas as estruturas das quais evoluiu.
A mais antiga e primitiva delas é chamada de “Cérebro Reptiliano”, que controla o lado mais animal e instintivo do ser humano. Ele se encarrega das funções mais básicas que são de sobrevivência e reprodução. Possui os padrões de comportamento que caracterizam os Répteis.

A sobrevivência se assemelha a um “sistema binário“, fugir ou lutar. Não aprende com seus erros, não tem capacidade de sentir e nem de pensar, sua função é a de atuar.
Com certeza este comportamento teve vantagens evolutivas, pois de outra forma não poderiam estar presentes em nossa espécie, e é essa combinação faz com que nosso comportamento tenha tantas variações.
Ao mesmo tempo que somos capazes de construir comunidades, como espécie somos incapazes de deixar de lado comportamentos altamente destrutivos como o preconceito e as guerras.
Se a evolução manteve um repertório de comportamentos predatórios, também favoreceu o surgimento de outras estruturas que permitiram o aparecimento do pensamento, da racionalidade e da linguagem.

Irracionalidade

A irracionalidade de nossos comportamentos remonta às estruturas mais primitivas de funcionamento cerebral, enquanto que o pensamento e a linguagem remontam às estruturas mais recentes, isso explica por que os bebês choram antes de aprender a falar.
Não importa de onde você venha, se existem crianças lá, elas fazem birra.
Pode ser o filho de um feirante brasileiro, de um lorde inglês ou um pequeno candidato ao posto de Dalai Lama, no Tibete, todos são capazes de se jogar no chão, berrando e esmurrando o piso, diante de fatos triviais como a recusa do pai em comprar um brinquedo ou a interrupção da diversão com os coleguinhas na hora de tomar banho.
Se você se pergunta por que coisas tão corriqueiras têm o poder de tirar os pequenos do sério, saiba que a explicação está no desenvolvimento incompleto de nosso cérebro quando nascemos. A mesma razão pela qual os filhotes humanos dependem tanto dos pais durante a infância e a adolescência.
Em formação, volta e meia os cérebros dos pequenos parecem entrar em curto-circuito.

Os primeiros anos de vida

Nos primeiros anos de vida, faltam conexões suficientes entre os neurônios. “As crianças nascem com muitas áreas sem a camada de gordura que reveste os axônios, responsáveis pela transmissão dos sinais cerebrais entre as células nervosas”, é como se um lustre viesse da fábrica com todas as lâmpadas, mas, em parte delas, faltassem os fios que permitem que elas acendam (não se preocupe, mais tarde, por volta dos seis anos de idade, tudo se iluminará).

Conexões neurais nos primeiros quatro anos

Na ausência de conexões neuronais adequadas nos primeiros quatro anos, a atividade mais intensa acontece nas partes inferiores, mais primitivas. São as áreas que os cientistas apelidaram de cérebros reptiliano e mamífero.
O primeiro é a parte mais profunda e antiga do cérebro humano, pouco modificada pela evolução. Para se ter uma ideia, ela é basicamente igual em todos os vertebrados, o elo perdido entre aquele bebê da propaganda de fraldas e uma lagartixa.
Regula funções básicas relacionadas à sobrevivência, como fome, respiração e digestão. E reações instintivas de defesa e ataque, ligadas ao sentido de autopreservação da espécie e à defesa territorial. Já o cérebro mamífero é equipado com habilidades para a convivência e a construção de relações sociais.

Durante o processo de desenvolvimento do organismo, gradativamente o lado primitivo de nosso comportamento passa ao controle, ao menos parcial, dos aspectos racionais, e esse movimento permite a conquista da socialização, da mesma forma que estruturas sociais são condicionadas por elementos irracionais, mas nunca abandonamos a forma de agir “reptiliana”, e isso aparece quando o tom emocional de alguma situação exige mais do nosso aparato racional do que ele pode dar. Nesta hora, o réptil que há em nós desperta.

J. Pedro Parisotto Jr.

J. Pedro Parisotto Jr.

Psicanalista Clínico
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1 Comentário

  1. Haroldo de Medeiros disse:

    É uma parte do cérebro pouco divulgada, porém muito importante para o estudante do comportamento humano. Desperta o interesse para se compreender porque indivíduos, aparente calmos ou tímidos, de repente pega uma arma e sai atirando, ou o matador de aluguel tira a vida de quem não lhe fez mal algum.
    Desperta o entendimento de porque os religiosos dizem que sendo Deus infinitamente bom há tanta desgraça no mundo.

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