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Afeto e carícias aciona o prazer sexual

Não é o sexo que faz as pessoas mais saudáveis e felizes, é o que elas fazem antes, durante e depois. Carícias, gestos, toques e olhares trocados entre os parceiros são os responsáveis pela sensação de felicidade e satisfação em sentido geral, revela um estudo feito pela Universidade de Toronto, no Canadá e publicado na revista norte-americana “Personality and Social Psychology Bulletin”. Para falar mais sobre o assunto falamos agora com a psicóloga e sexóloga Sônia Eustáquia Fonseca.

1 – É verdade que as pessoas que têm relações sexuais com mais frequência sentem-se mais felizes?

Sim, sem nenhuma dúvida. A frequência pode variar de casal para casal, mas, as pesquisas mostram que aqueles que têm relações com uma periodicidade adequada ( a cada casal), sentem-se mais felizes. São fatores biológicos, emocionais e ambientais que levam a essa sensação de felicidade.

2 – A associação entre sexo e felicidade no sentido geral é dependente mesmo de gestos e carinhos antes, durante e depois das relações sexuais? O afeto na hora do sexo é o fornecedor de bem-estar psicológico? É a chave do prazer em plenitude?

O ato em si oferece muito pouco para a realização humana. É como se nascêssemos incompletos, e, quando encontramos alguém, há um desfecho, uma conclusão. Nesse relacionamento, é saudável e natural que haja a troca de confiança, de segurança, que podem ser transmitidas também durante o sexo, seja na forma de beijo, de abraço, de olhar, de contato físico. Por fim, além da partilha de gestos e carícias que envolvem confiança, segurança e intimidade.

3 – O ato sexual em si oferece pouco para a realização humana, porque precisamos tanto do carinho?

A psicanálise explica que depois de adulto, o ser humano tem condição de recapitular tudo que viveu de prazeroso durante as fases do desenvolvimento infantil. Por isso a importância dos toques no corpo, abraços, carícias e também dos beijos, que recapitula a fase oral, e assim por diante. O coito e as sensações do orgasmo apenas fecham um circuito de prazeres vividos antes dele acontecer. Por isso podemos dizer que, a realização humana ou a complementaridade se dá a partir dos carinhos.

4 – Biologicamente falando, há também algumas mudanças químicas importantes que são responsáveis pelo prazer, como isso funciona?

A neurociência tem feito avanços importantes nessa área. Uma delas é a descoberta de neurotransmissores que são ativados durante a relação sexual e que estão associados ao desenvolvimento das relações entre as pessoas. Esses neurotransmissores que são a Noradrenalina, Dopamina e Serotonina estão envolvidos no sistema de recompensa o que fornece a pessoa uma sensação de alegria, bem-estar e prazer.

5 – A qualidade do vínculo com o parceiro é muito importante para sentir essa sensação de felicidade?

Sim, é muito importante. A expressão da afetividade e em fazer vínculos é inerente ao ser humano saudável, e essa necessidade também existe durante o sexo, indo além das questões instintivas e biológicas. O segredo para relacionamentos duradouros é justamente uma sexualidade prazerosa que ofereça um vínculo afetivo.

6 – Será que podemos afirmar que casais que se sentem felizes porque praticam sexo com carinho, também têm um melhor relacionamento?

Sim, podemos afirmar que além da partilha de gestos e carícias que envolvem confiança, segurança e intimidade, outros fatores importantes como a nossa cognição está voltada, em muitos aspectos, para o sexo. Nesse sentido, o comportamento sexual, geralmente, é uma busca por gratificação, que não deve causar sofrimento e nem estar associado a nenhum tipo de ansiedade. Isso tudo é um indicativo de normalidade, de um bom exercício da sexualidade.

7 – Essa satisfação sentida depois das relações, normalmente, dura mais quanto tempo?

O tempo varia de pessoa para pessoa, mas, constatamos que a lembrança da sensação de felicidade pode ser suscitada a qualquer momento e por isso a sensação boa pode voltar. O nosso pensamento ou as nossas cognições estão preparadas naturalmente para isso. Mas é claro que a lembrança mais viva e recente é de melhor qualidade. A pesquisa citada nos mostra que depois de 6 meses, as pessoas continuaram felizes.

8 – A idade das pessoas interfere no resultado desse sentimento de bem-estar?

Vale ressaltar que os resultados não consideraram a idade dos participantes, o tempo de relacionamento ou o status amoroso. Essa conclusão apoia o fato de que o afeto na hora do sexo – fator que já foi constatado como grande fornecedor de bem-estar psicológico em outra pesquisa – é a chave para o prazer em sua plenitude.

9 – A frequência das relações também é um dado importante para o resultado de vida saudável e feliz?

Sim. Cada casal se adapta à um tipo de frequência, e é bastante pessoal a escolha dela. É muito importante lembrar que não há uma regra única quanto ao item frequência. O que a pesquisa mostra é que quanto mais frequente, melhor o casal fica, e por maior tempo.

10 – Quanto ao tempo de relacionamento e status da relação, o que você observa?

Quando o casal se envolve em abraços e carícias não importa o tempo do vínculo ou o status da relação, eles sentirão a mesma felicidade de um casal de muito tempo de vínculo e com um status mais consolidado como o do casamento. O sentimento de bem-estar e felicidade independe do status e do tempo.

11 – O que uma pessoa pode fazer para aumentar a felicidade pessoal ou de relacionamento, você pode dar algumas dicas simples?

Além da partilha de gestos e carícias que envolvem confiança, segurança e intimidade existem outros fatores como a nossas cognições que estão voltadas, em muitos aspectos, para o sexo. Nesse sentido, o comportamento sexual, geralmente, é uma busca por gratificação, que não deve causar sofrimento e nem estar associado a nenhum tipo de ansiedade. Isso tudo é um indicativo de normalidade, de um bom exercício de sua sexualidade.

SOBRE A PESQUISA:

Apenas praticar sexo, mesmo que regularmente, não garante a verdadeira realização sexual. Carícias, gestos, toques e olhares trocados entre os parceiros são os responsáveis pela sensação de felicidade e satisfação em sentido geral, revela um estudo feito pela Universidade de Toronto, no Canadá e publicado na revista norte-americana “Personality and Social Psychology Bulletin”.

Os pesquisadores avaliaram a correlação entre o sexo e o bem-estar com pessoas que tinham algum relacionamento amoroso. Foram entrevistadas 335 pessoas casadas e outras 148 comprometidas. Ambos os grupos mostraram que a prática constante de sexo oferece uma maior satisfação na vida. Contudo, a associação entre sexo e felicidade no sentido geral era dependente de gestos e carinhos, apontando que os entrevistados levaram em conta a prática de carícias antes, durante e depois. Isso mostrou que a associação entre a frequência sexual e a satisfação na vida era insignificante. Vale ressaltar que os resultados não consideraram a idade dos participantes, o tempo de relacionamento ou o status amoroso. Essa conclusão apoia o fato de que o afeto na hora do sexo – fator que já foi constatado como grande fornecedor de bem-estar psicológico em outra pesquisa – é a chave para o prazer em sua plenitude.

A pesquisa constatou que nos dias em que as pessoas fazem sexo, elas experimentam mais momentos afetivos e emoções positivas logo após as relações e nas horas posteriores. O estudo acompanhou, por seis meses, 106 casais que tinham filhos menores de oito anos, dos quais 88% eram casados. Eles anotaram diariamente, seus estados emocionais e sexuais. Essas informações diárias concluíram que, nos dias em que os casais faziam sexo, havia uma maior experimentação de boas sensações. Ainda conseguimos mostrar que o sexo promove emoções positivas, mas elas não aumentam, necessariamente, a vontade de fazer sexo. Isso indica que as pessoas parecem se sentir bem quando praticam, mas não que praticam por se sentirem bem. De acordo com os autores da pesquisa.

Sônia Eustáquia

Sônia Eustáquia

Psicologia, Psicanalista, pós-graduada em Neuropsicologia, Sexualidade Humana e Docência do Ensino Superior.
Sônia Eustáquia
Sônia Eustáquia
Sônia Eustáquia
Psicologia, Psicanalista, pós-graduada em Neuropsicologia, Sexualidade Humana e Docência do Ensino Superior.

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